O estado do Pais ficou hoje simbolicamente demonstrado nas
comemorações dos 102 anos da implantação da República, quando o Presidente da
República hasteou a Bandeira Nacional ao contrário.
No meio da cerimónia, este ano incompreensivelmente vedada
ao público, duas mulheres, “furaram” a segurança e manifestaram-se de viva voz,
uma com gritos de desespero, outra, com canto lírico, entoando a canção “Firmeza”
de Fernão Lopes Graça, pensando mesmo os presentes, que, a “actuação” desta
última fazia parte do programa das comemorações.
O primeiro episódio, não passaria de um incidente, nem
ganharia demasiada amplitude, se não reflectisse, de facto, o estado a que
chegou a nossa República. Desvirtuada dos seus valores e princípios, pilares
assassinados pelos seus servidores, o país está hoje de “pernas para o ar” ou
ao contrário, tal como a bandeira foi hasteada e envergonha a ética
Republicana.
O segundo episódio, simboliza a revolta, um registo próprio
de um país em plena agonia, desesperado, vergado, sem esperança.
Foi a 5 de Outubro de 1143, que D. Afonso Henriques
celebrou o Tratado de Zamora, data que assinala a independência de Portugal e
definiu as fronteiras terrestres do país. Um país com mais de 8 séculos de
história, com as fronteiras mais antigas da Europa, que descobriu e povoou o
mundo, que sobreviveu a invasões, guerras, catástrofes e outras crises. Não merecia
ter sido tão mal servido nem desonrado nas suas nobres e virtuosas origens.
Que esta data de 1143 e a ambição do seu rei fundador,
inspire o povo a resistir, ousar e lutar, para voltar a pôr o país no devido
lugar.