sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Um país ao contrário


O estado do Pais ficou hoje simbolicamente demonstrado nas comemorações dos 102 anos da implantação da República, quando o Presidente da República hasteou a Bandeira Nacional ao contrário.

No meio da cerimónia, este ano incompreensivelmente vedada ao público, duas mulheres, “furaram” a segurança e manifestaram-se de viva voz, uma com gritos de desespero, outra, com canto lírico, entoando a canção “Firmeza” de Fernão Lopes Graça, pensando mesmo os presentes, que, a “actuação” desta última fazia parte do programa das comemorações.

O primeiro episódio, não passaria de um incidente, nem ganharia demasiada amplitude, se não reflectisse, de facto, o estado a que chegou a nossa República. Desvirtuada dos seus valores e princípios, pilares assassinados pelos seus servidores, o país está hoje de “pernas para o ar” ou ao contrário, tal como a bandeira foi hasteada e envergonha a ética Republicana.

O segundo episódio, simboliza a revolta, um registo próprio de um país em plena agonia, desesperado, vergado, sem esperança.

Foi a 5 de Outubro de 1143, que D. Afonso Henriques celebrou o Tratado de Zamora, data que assinala a independência de Portugal e definiu as fronteiras terrestres do país. Um país com mais de 8 séculos de história, com as fronteiras mais antigas da Europa, que descobriu e povoou o mundo, que sobreviveu a invasões, guerras, catástrofes e outras crises. Não merecia ter sido tão mal servido nem desonrado nas suas nobres e virtuosas origens.

Que esta data de 1143 e a ambição do seu rei fundador, inspire o povo a resistir, ousar e lutar, para voltar a pôr o país no devido lugar.