Ao fim de não sei quantas
cimeiras europeias durantes os últimos três anos de que pouco ou nada valeram,
o presidente do Banco Central Europeu (BCE) deu ontem o primeiro pontapé na
crise com o anúncio de que a instituição que lidera vai comprar dívida pública
dos países europeus com dificuldades de financiamento o que promete colocar
algum travão na escalada dos juros das obrigações soberanas, que após o anúncio
desceram imediatamente.
Esta medida vai acima de tudo
repor confiança na zona euro e estancar a especulação que ameaça a moeda única. Contudo,
não resolve o verdadeiro problema europeu, que passa por redefinir a arquitectura política e económica da União Europeia.
Para Portugal é uma boa notícia,
contudo, as regras continuarão apertadas, porque não se pense que o BCE nos vai
comprar dívida a troco de facilitismos. Quando em 2013, Portugal regressar aos
mercados, se os investidores não acreditarem na capacidade do país em pagar o
que pede, o BCE lá estará para comprar o valor necessário para o país se
financiar no mercado primário, onde o tesouro vende directamente os seus
títulos.
Ontem serviram-nos esta boa
notícia. Hoje, antes de jantar, o Primeiro-ministro irá dizer-nos o que de pior
nos vai esperar em 2013. Um excelente aperitivo para festejarmos os golos da Selecção
Nacional com um apertado nó no estomago e dormirmos mais uma noite em sobressalto
a pensar no que por ai virá.